26 de Junho de 2011

Cinema: Sucker Punch

Em semana de decisões aqui no tasco (estive mesmo para mandar empacotar a mobília e fazer o outsourcing para a China, mas o FMI injectou uns tostões à última da hora), aqui fica o último de Zack Snyder.

Depois de duas adaptações de banda desenhada e um remake, Zack Snyder tenta a sorte com um argumento original. E estreia-se bem... pelo menos à primeira vista.

O filme tem de tudo: hospitais psiquiátricos; cabarets; samurais gigantes; nazis zombies muito à Call of Duty; dragões; orcs que, podia jurar a pés juntos, saíram directamente da trilogia "Senhor dos Anéis"; robots malucos estilo anime; moçoilas vistosas; tiros e bombas e murros nas trombas.

Desta aparentemente amálgama desconexa nasce uma longa metragem passada maioritariamente na mente de Baby Doll, a personagem principal com a qual embirrei logo desde a primeira aparição de Emily Brown, que lhe dá vida e se parece demasiadamente com um boneca, com direito a totós e tudo.
Baby Doll: porcelana por fora, aço por dentro
E passados alguns minutos, quando damos conta do sistema utilizado para contar a história, ficamos logo com a sensação "Inception": um história dentro de uma história dentro de uma história. Se bem que funciona perfeitamente.

Zack Snyder, neste filme em modo girl power (talvez para equilibrar a overdose de testosterona de "300"), deixa, desde os primeiros segundos, a sua marca indelével no filme e mostra o porquê de ser uma das promessas da realização de filmes de acção - não deixa de ser engraçado que sabemos logo quando estamos a ver um filme deste homem.

O filme, como habitual, é um deleite para os olhos e nem sequer me refiro às dezenas de personagens femininas que percorrem o ecrã, e Snyder consegue aqui criar sequências de acção que facilmente se equiparam às de "300", conseguindo, em certos momento, com certos ângulos de câmara, conseguir superar o filme dos espartanos.
A espectacular decisão de metaforizar as danças de Baby Doll com as sequências de acção ganha em todos os aspectos.
O filme é sempre pontuado por uma banda sonora soberba, adaptando-se sempre muito bem àquilo que se passa no ecrã.

Mas nem tudo são rosas.
Mais uma vez, implicância minha, só consigo empatizar com Emily Brown a mais de meio filme decorrido, até porque durante, pelo menos, vinte minutos a rapariga não dá um pio.
Certas personagens poderiam ter sido muito mais exploradas (olá, Carla Gugino) e desde o princípio que fica   aquela sensação na nuca de que Zack Snyder terá aproveitado muito bem este filme para se rodear de beldades que, muitas vezes, só lá estão mesmo para melhor decorar o filme.
Mas o pior será mesmo a impressão de falta aqui qualquer coisa. O esquema "Inception" resulta muito bem, mas, mesmo sem conseguir confundir o suficiente para se equiparar com o filme de Christopher Nolan, há sempre uma ideia de se perder o fio à meada, não pela complexidade, mas pela falha de certos pormenores.

Com o equilíbrio suficiente entre as qualidades e os defeitos, é sem dúvida um filme acima do mediano de acção de Hollywood. Esperemos que Snyder continue no bom caminho, mas que colmate melhor as falhas num futuro próximo, o que faria dele um dos cinco melhores realizadores de acção americanos da actualidade, atrevo-me até a dizer, de sempre.


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