30 de Março de 2011

Cinema: Season of the Witch + The Green Hornet

Porque nem só de bom Cinema vive o Homem... Season of the Witch

Este filme só vem provar que o Nick Cage entrou, de um vez por todas, em modo de crise de meia-idade.
Eis um actor que tão depressa escolhe papéis bons como papéis péssimos. No palmarés deste homem estão filmes como «8 Mm», «Lord of War», «Kick-Ass» ou o clássico «Raising Arizona», mas tem, também, nos últimos tempos, feito filmes como «Ghost Rider» (e eu sou grande fã de banda desenhada), «Wicker Man», «Drive Angry» ou este «Season of the Witch». Concentremo-nos neste último.
Estão agora na berra os filmes com criaturas sobrenaturais: eles são vampiros, eles são lobisomens, eles são fantasmas. Porque não pegar também nas bruxas?
Questões que nos ficam com este filme:
- se hoje em dia não se fazem, nem nuca se fizeram, bons capachinhos, porque é que se haviam de fazer na Idade Média?
- porque é que se há-de manter o suspense até ao fim quando, a meio do filme, se pode estragar a emoção desmontando o mistério à volta da personagem da bruxa?
- porquê fazer um filme com um bom argumento à volta do folclore da Idade Média quando podemos pôr o Nicholas Cage num filme com um argumento que podia ter sido escrito por um miúdo de dez anos?
- porque é que a faltarem vinte minutos do fim se decide tentar um twist sem piada nenhuma para tentar salvar um filme sem ponta por onde se lhe pegue?
No meio desta amálgama desconexa armada em filme, damos por nós a pensar: porque é que o Ron Pearlman, que até é bom actor, está metido aqui no meio?
A ver por vossa conta e risco.



The Green Hornet

A premissa era boa: pegar numa série clássica dos anos 60, na qual participava Bruce Lee, como o mascarado Kato, e transformá-la em mais um remake à Hollywood.
Daí a fazer este filme foi um longo caminho.
Se para muitos Michel Gondry pode parecer um prato francês de cozinha de cinco estrelas, para os mais atentos é o realizador de obras primas como «Eternal Sunshine of the Spotless Mind», «The Science of Sleep» ou do hilariante «Be Kind, Rewind», assim como um dos segmentos de «Tokyo!», espectacular tríptico cinematográfico de 2008.
Ver um filme tão pouco inspirado como este «The Green Hornet» ser realizado por este génio da manipulação da imagem é uma verdadeira dor de coração.
Poucas vezes o filme desperta uma sincera vontade de rir, as sequências de luta são muito fraquinhas e mesmo o toque de Gondry, demonstrado em algumas sequências não são suficientes para salvar o exercício de adaptação a que as produtoras de Los Angeles nos têm habituado neste últimos anos.
O filme acaba por ser muito bom para aproveitar para uma das tardes de Cinema da TVI.
Mais uma vez, a ver por vossa conta e risco...


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