22 de Março de 2011

Cinema: Hereafter

Está reaberta a posta de Cinema. A acção decorre em volta de três personagens bastante distintas (um trabalhador fabril americano com um dom para ouvir as almas dos que já partiram (Matt Damon), uma jornalista francesa apanhada numa catástrofe natural na Tailândia (Cécile De France) e um miúdo britânico a braços com a mãe toxicodependente e a morte trágica do irmão gémeo (Frankie e Geroge McLaren).

A sequência inicial prende-nos ao assento pela crueza real (principalmente depois de vermos as repetidas imagens dos últimos acontecimentos no Japão) e quase nos sentimos no meio do cenário, a tentarmos lutar pela nossa vida.
Eastwood consegue que nos coloquemos na pele daquelas personagens logo desde os primeiros minutos e isso dá grande força ao filme. As situações decorrem a um passo muito apropriado ao tipo de filme e vão sendo construídos todos os elementos para dizermos que estamos diante de uma das melhores obras do homem que, em tempos, vestiu a pele de Dirty Harry.
Mas, infelizmente, na recta final, Eastwood troca-nos as voltas. As personagens convergem, de uma maneira extremamente forçada, para um ponto demasiado óbvio. E, se durante alguns minutos, a minha imaginação me forçou a prever, pelo menos, três finais distintos, o realizador americano opta por um quarto, muito mais previsível, muito mais fácil, arruinando por completo o ambiente construído nos longos minutos que levam ao término da longa-metragem.
O filme é, claramente, muito bom, se excluirmos os últimos vinte, trinta minutos, e o facto de, pelo menos a mim foi sensação persistente, já termos visto este tipo de entrosamento das personagens e das suas histórias noutros lados (ainda há cinco anos atrás Iñárritu e Guillermo Arriaga o fizeram, em «Babel», de maneira bem mais inspirada).
Vejam por vossa conta e risco. Eu, a ver outra vez, desligo o monitor antes do fim e imagino aquilo que poderia ter sido...

IMDb


0 Eu opino, tu opinas, ele opina...: