13 de Março de 2011

Back from the dead!

Havia poucas coisas que fariam acabar este meu hiato, mas a Internet é um poço sem fundo de coisas fascinantes. Para os saudosistas dos anos 90, vejam, antes de mais, o video que se segue, mais concretamente a partir dos 4:30:

Agora, para a experiência ser completa, vão, por favor, aqui: www.jorgemartinezmusic.com
Não se apressem, explorem bem este maravilhoso mundo novo. Aconselho vivamente a secção de videos, principalmente o vdeoclip de "Silêncio" e "Soñar".
Já agora:


Agora, a pergunta necessária: este gajo é mesmo real??? Isto não será para aqueles programas de apanhados, mas levado a uma escala completamente maior?
Jorge, devolve o penteado, o carro e as dançarinas aos anos 80, assenta os pés no chão e regressa à realidade. Amigo (sim, sinto que posso chamar-te amigo, depois de ler a tua espectacular biografia), tens tanto de coreógrafo como eu tenho de domador de leões.

Continuando nas espectaculares obras artísticas portuguesas, não sei se cheguei a falar nesta pérola do cinema português aqui no tasco (tenho uma ideia que sim, mas não tive pachorra para verificar), mas tive finalmente, há uns dias atrás, a oportunidade de ver «100 Volta». E, para aqueles menos preparados, perguntam vocês: que filme é esse com um nome tão catita?
Não façam perguntas parvas. Ainda assim, e antes de mais, fica o trailer:

E fica também uma pequeníssima, ínfima mesmo, amostra daquilo que podem ver durante o filme:

Eu, que quando vi o trailer, fiquei logo curioso, quando pude ver o trabalho completo fiquei, à falta de palavra melhor, abismado.
Este filme tem tudo: acção; sexo (à bruta e à portuguesa); carros exóticos (ou nem por isso); intriga e mistério; e, mesmo até, uma pitada de romance (romance um pouco rural, um pouco rude, mas, ainda assim, romance).
Passe a redundância, mas este filme tem tudo: há uma teoria que indica que se pusermos um determinado número de macacos, com máquinas de escrever à frente, dada um ilimitada quantidade de tempo, estes macacos poderiam, a certo ponto, escrever uma das peças de Shakespear - limitem os macacos a dez ou vinte, limitem o tempo a duas ou três semanas, o resultado seria muito aproximado ao "argumento" deste filme; a imagem é do melhor dentro do que qualquer amador da indústria de filmes de casamento poderia efectuar (e eu, por experiência própria, já vi melhor), chegando ao ponto de, dentro da mesma sequência, haver uma discrepância de fotografia dos 8 para os 80; a sincronização de som poderia ter sido executada por um bêbado surdo e o resultado não estaria longe deste; fica, basicamente, a ideia que prometeram a meia dúzia de bimbas que, se mostrassem as mamas à frente da câmara, poderiam, quem sabe um dia, fazer uma sequela do «Crime do Padre Amaro», isto se, na data da rodagem, a Soraia Chaves estiver a rodar a sequela de «Call Girl»; chamar a isto o «60 Segundos» à portuguesa é o mesmo que dizer que uma banana tem um caroço muito grosso.
Eu não estou a dizer que o filme é mau, estou a dizer que «Os Malucos do Riso», ao pé disto, parecem uma dissertação do Nietzsche. Continuo a dizer que não afirmo que o filme é mau, mas, ao pé dele, «O Ninja das Caldas» merecia, pelo menos, um Globo de Ouro; sim, porque «O Ninja das Caldas» assume-se como um filme da treta feito por um grupo de gandulos que um dia decidiu apontar a câmara para a palhaçada e ver qual era o resultado.
No fim desta minha verborreia, o melhor mesmo é verem o filme por vós mesmos e, quando chegar mesmo ao fim, verem escarrapachado, mesmo como quem está a gozar com a coisa, o logótipo do I.C.A.
Reafirmo, mais uma vez, que o filme não é mau, mas se a instituição que, anualmente, dá a oportunidade a novos e já renomeados realizadores portugueses de filmar, tivesse dado o dinheiro a meia dúzia de putos e os mandasse filmar gatos a fazer figuras engraçadas e, no fim, meterem os vídeos no YouTube, o dinheiro tinha sido muito mais bem empregue. O filme não é mau, mas ontem deu-me uma daquelas diarreias repentinas e o tom amarelo das minhas fezes líquidas tinha um aspecto bem melhor.

Mais recentemente, e nem sei se tenho paciência para falar disso, pude acompanhar um pouco da cerimónia dos Prémios da Academia, vulgo Oscars, em directo. Esperava muito mais do James Franco como apresentador. Mesmo a Anne, depois de ver umas fotografias dela na Internet a praticar o chamado felácio ao namorado, prometeu mais do que cumpriu. Quanto a nomeados e a laureados, foi um pouco previsível. Mas quando, ao invés dos tradicionais quatro ou cinco nomeados para melhor filme, temos dez, podia-se esperar tudo. Pena que o «Inception» tenha ficado relegado aos prémios mais técnicos, porque, mesmo com a qualidade dos outros nomeados, e vi a grande maioria deles, este era, a meu ver, o filme do ano. De destacar «Black Swan», que prova que, uma vez mais, Aronofsky ainda não perdeu o jeito. «127 Hours» e «True Grit», apesar de bons, estavam aqui um bocado deslocados; este último pareceu-me até, depois de «O Brother, Where Art Thou», «No Country For Old Men» e o incontornável «The Big Lebowski», uma obra menor dos Coen.

Bem, já estou muito mais aliviado. Prometida fica (pelo menos a tentativa) de uma maior frequência de "postas" aqui no tasco. A ver vamos.

0 Eu opino, tu opinas, ele opina...: